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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Despertar I: viver no presente

Tatiana Palm


A mudança do mundo começa em nós. A nossa mudança se torna mais fácil quando compreendemos que o reino das possibilidades é aqui, o presente, no espaço-contexto-tempo presente. “Here and Now!”. A única mudança possível é no presente, a ação é do presente. O despertar é a revolução que começa dentro de nós, é a revolução silenciosa. Como começa? Quando começa? É difícil precisar. O despertar vem do acontecer, do encontro, dos desencontros, dos erros, dos acertos. O despertar surge como luz, pouco a pouco, vem com uma mudança de lugar, do contato com a arte feita com as mãos, com uma vivencia, do contato com as danças circulares, do contato com a roda do fogo, com a busca pela espiritualidade, na reconexão com a natureza (terra, vento, mata, mar), ao entrar no caminho do ioga, ao estar com o ouvido atento, o respirar lento,  o estar com o outro (diverso) do que se é.
Percebi que pensar no futuro desvia nossa atenção do que está diante dos olhos e também dentro de nós, por isso, me esforço para estar no presente, mas, para estar no presente, não se pode ser uma pessoa ambiciosa. Como disse Osho, “uma pessoa ambiciosa está sempre com pressa, com urgência, correndo em direção a algo que ela sente vagamente estar presente, mas que jamais irá encontrar.É como o horizonte: algo que não existe, apenas parece existir. As pessoas que não são ambiciosas vivem aqui e agora, e viver aqui e agora é ter sanidade. Estar totalmente presente neste momento é ter sanidade”.  Difícil mesmo é levar isso a sério! Todo e qualquer projeto situado no futuro é um passo fora do presente. Com o despertar também acorda a imaginação, a criatividade se liberta, e, pipocam projetos de vida, projetos futuros: Ponto de cultura?! Educadores Aprendizes?! Mulher e a permacultura?! Viagem, artesanato, amor?! Sim, tudo isso me entusiasma, e muito! E assim sempre estou um passo fora do presente quando tudo o que procuro é estar inteira no presente, no agora. O agora, o lugar da ação, o lugar de realização do que deve ser projeto: o viver. Para quem se propõe viver no agora, o projeto deve estar em andamento e não ser um projeto que está em planejamento. O projeto em planejamento está no mundo das ideias somente, assim como tudo o que se situa no futuro. O projeto em andamento é que faz parte do real, do presente. É no projeto em andamento que está o movimento. Ele é o fluxo da vida. Sim, projeto é o que deve ser a nossa existência.
 Como dizem por aí: “o presente é o lugar onde todas as portas estão abertas”. Sim, acho que além de concordar agora compreendo o que isso significa. Talvez é por esse motivo que gostei tanto de compreender o significado do que me foi dito por uma amiga virtual chamada Abrisi (nome que tem ar de brisa, brisa mansa, fresca, de brisa do mar). Ela disse: “o reino das possibilidades é aqui”. Foi justamente a partir disso isso que compreendi que aqui onde estou é o lugar certo para estar, que é daqui onde estou que posso fazer, significar meu agir; compreendi que o melhor lugar é o lugar onde você está. Assumindo o que sou, onde estou, no momento em que sou, abre-se um leque de possibidades de ser. É a partir disso que deixo de ser nômade, deixo de buscar o meu lugar em outro lugar e percebo que meu lugar é onde estou. É com isso que começa uma (R)evolução interna. A (R)evolução silenciosa que cria raízes, ganha amplidão, começa a se tornar visível no exterior, no agir (com os outros), no ser (viver) e no pensar.

domingo, 3 de março de 2013

“Um outro tempo começou pra mim agora”



 
 
 
Nos primeiros dias da nova era, do novo ciclo (como andam dizendo por aí), se aproxima (como comumente se aceita) a chegada do fim do inicio de outro ano. É bastante comum que neste momento as pessoas elaborarem uma lista de objetivos ou metas a serem alcançadas no ano que está porvir. Dentro deste espírito de renovação e comprometimento me perguntaram sobre os meus objetivos, meus planos, minhas metas. Fui interrogada tão diretamente que não havia escapatória, era responder ou responder. Dei uma resposta que indicava a minha ausência de objetivos: não quero trocar de carro nem quero mais dinheiro, não quero ganhar mais para poder viajar longe, não quero um trabalho melhor, enfim, estou vazia, mas não niilista; sinto-me livre e não, como se poderia pensar, depressiva. E, foi assim, que se confirmou a minha suspeita: eu era dona de objetivos vazios de materialidade, algo que vagamente e até amedrontadamente constatei em uma aula de yôga que iniciei a pouco tempo atrás. O curioso é que comecei o ano de 2012 fazendo o contrário de 2013, fiz exatamente o que eu nunca tinha feito mas que todo mundo faz: um lista de objetivos a serem alcançados. Se voltar para essa lista confirmarei que apenas um dos objetivos não foi atingido e, então, se o ano de 2012 foi tão bom a ponto de me sentir realizada e agradecida por ele ter sido como foi, porque não início o ano novo do mesmo modo, cheia de metas e não cheia de um nada querer? É em vão tentar explicar, mas “o tempo andou mexendo com a gente”, uma transformação interior aconteceu. É o despertar!
Percebi não haver em mim objetivos materiais, mas, certamente, há em mim algo que me move, alguma coisa que me faz querer viver. Há em mim objetivos vazios de materialidade, com isso quero dizer que, ando querendo outras “coisas” que não são da ordem do concreto ou do material, mas mais do âmbito espiritual. Percebi que o que ando desejando está ligado com o aperfeiçoamento do humano: desejo ser mais paciente, mais compreensiva, desejo saber amar mais (a tudo e a todos). Mas, como é possível ser um sem ser o outro, como é possível o espiritual sem o material (concreto) ou vice-versa? O que existe é a complementaridade e não a dualidade. De que serve um aperfeiçoamento espiritual sem uma realização material? Enquanto buscamos ser melhores também temos que agir. É importante, portanto, ter objetivos materiais, metas concretas. O bonito mesmo é quando as metas transcendem a esfera do individual, ou seja, quando o que se busca não é atingir um objetivo que causa uma satisfação pessoal, mas um objetivo que promova um bem coletivo. Enfim, o que estou tentando dizer é que o aperfeiçoamento de si e o sonho (objetivo) concreto devem andar juntos e quando o que se busca realizar é um sonho coletivo e não um sonho que se sonha sozinho tudo se torna mais pleno. É a renovação!No início de um ano novo, no começo de um novo ciclo, existe a oportunidade da transformação porque “no recomeço nós trazemos a pureza e buscamos resgatar a razão das origens – o sentido real das coisas".

sábado, 2 de março de 2013

Despertar II


Despertar II
 
 

Não basta o despertar! Desperto, agora, iniciamos o caminho da alquimia do sentimentos. O ato de transformar um sentimento em outro. Isso não exige que sejamos algo diferente do que somos, não! Apenas devemos ser atentos ao que somos, ao que sentimos, ao modo como reagimos e buscar nos tornar melhores. Se me deparo com uma situação que desperta a fúria, o ciúme, a inveja, a culpa é necessário transcender tais emoções, transformá-las em outras, aquietá-las. É um caminho difícil que exige paciência e controle de si. Conseguir entender o que está por trás das emoções, dos sentimentos e um passo importante para ter controle. Essa compreensão passa por um processo de racionalização-intuição ou de intuição-racionalização. Ou a gente sente intuitivamente e só compreende quando racionaliza ou, ao contrário, racionalmente você sabe do sentimento e deve passa a um nível do sentir para transforma-lo. É a complementaridade entre racional e intuitivo.
O aperfeiçoamento humano depende do desenvolvimento e do equilíbrio dos aparentemente lados opostos. Se for um sentimento que estiver colocado como obstáculo para o fluxo vital uma das formas de superar tal obstáculo é transformá-lo em um pensamento, racionalizar, fazê-lo passar por uma processo racional e, o contrário, se, por sua vez, for um pensamento que estiver colocado como obstáculo, este deve ser transformado em um espécie de sentimento. É um jogo. Por exemplo: aconteceu comigo nesta semana, mais precisamente na quinta-feira, cheguei em casa do trabalho calada, chateada e triste. Repassei varias vezes os acontecimentos do dia para tentar compreender racionalmente o que estava sentindo e intuindo, mas em vão. Nada parecia estar errado nada parecia ter me tocado, mas foi apenas no outro dia que consegui compreender racionalmente o que se passava, o que me incomodava. Essa racionalização me fez saber como agir num outro momento. E, é assim que as coisas andam quando a gente está desperto: tentamos compreender e melhorar a nós mesmos e assim, inevitavelmente, vamos melhorando o nosso mundo exterior; vamos fazendo o outro refletir sobre seu comportamento exatamente quando nos comportamos de modo diferente do costumeiro, do habitual, do grosseiro e egoísta. E assim caminho, em passos pequenos, lentos, fazendo o caminho da (R)evolução. Ensinar pelo exemplo! Ensinar sendo exemplo!
Enquanto em alguns momentos acontece a alquimia dos sentimentos, em outros, acontece a tentativa de unidade. Tentei senti-me um com o outro, meu companheiro, parceiro, um outro eu só que diferente. Tentei me fazer ser o outro, sentir no lugar do outro, me sentir sendo o outro por meio do sexo. Sim, experiência intensa prazerosa, mas não alcançada com exito total. Tentei senti-me um com o vento, mas não com aquele vento faz um assobio isquisito e sim com o vento que assanha a cabelera, que acaricia. Incompletude. Sim, pensei: o caminho não é fácil. Ando desconfiada que há um outros modos para se ter a experiência da unidade. Devo descobrí-los. Estar no caminho do despertar é isso: é estar atenta, é aceitar a transitoriedade, é reconhecer o movimento. Nele ir se conhecendo mais e mais. Anda me parecendo que o caminho da unidade é o amor. Sentir-se uno por meio do sentimento do amor. Que amor? um amor que eu escolho sentir por outro ser independente dele querer ou dele merecer. Amo para além do ser que o outro é porque escolhi assim amar. O amor assim não de desfaz a não ser que permito que ele se desfaça.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

FINITUDE
 
 
 
 
"Diz-se que, antes de um rio entrar no oceano, ele treme de medo. Olha para
 
 trás, para toda a jornada: os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso
 
 através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão
 
 vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há
 
 outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar! Voltar é impossível
 
 na existência. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele
 
 entra no oceano é que o medo desaparece, porque apenas então o rio saberá
 
que não se trata de desaparecer no oceano, mas TORNAR-SE oceano. Por um
 
lado é desaparecimento e por outro é renascimento. Assim somos nós. Só
 
podemos ir em frente e arriscar. Coragem! Avance firme e torne-se Oceano.”
 
 
 
Osho
 


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Permaculturando no meu jardim
 
 
 


Sim, sim ... e a vida não é mais do que o que se move.
E no movimento, o inesperado, o outro,o contrário do que sonhamos
é o que acontece.
Mas, por mais estranho que pareça, me sinto surpreendentemente inteira,
completa, florida e feliz.
Colorida me sinto primavera e ando a florir por aí.
Há um pequeno mundo ao meu redor, um mundo que não vai além do entorno da casa onde moro, que não transcende os limites do meu jardim;
 um mundo que se modifica, se tranforma, pra melhor.
E, são as minhas pequenas atitudes, os meus pequenos gestos de cuidado:
(cuidado com a terra, cuidado com os outros, cuidado comigo mesmo);
os meus pequenos gestos de amor que me fazem ser assim: permacultora e feliz.
 
 
 
 
 
 
 
 


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Permacultur(A)ndo: eu mudo o mundo muda



O sol deixa de reinar por mais um dia ... antes da lua aparecer soberana noite à dentro volto para casa, mas na mente lateja a lembrança daquilo que todos os dias vejo: a corrida diária dos consumidores ... consumidores que entram e saem das lojas ávidos por produtos ou preocupados em pagar o que já esqueceram ter consumido. Fato é que vivemos tentando ser felizes, mas gastamos a vida (o bem mais precioso) trabalhando ... trabalhando ... para consumir ... consumir ... e sumir. A felicidade está atrelada ao consumismo e quando acordamos, quando abrirmos os olhos, vemos que reduzimos a vida a isso; é em função disso que a vida se esvai. Se foi por fortuna? por sensibilidade? por inquietação? por inconformidade? pelo non sense? Não sei ... fato é que despertei à tempo, antes da minha vida estar perdida. Quando despertei uma das primeiras atitudes foi revisar o meu modo de vida. E, foi assim, que senti a urgência de fugir para ser outro, para aprender a ser diferente, para mudar meu modo de ser (estar) no mundo. No entanto, por respeito ao ritmo da vida, aos sinais dos tempos, por ter aprendido a não ir contra à natureza, por permitir o movimento natural das coisas fiquei aqui onde estou sem, no entanto, deixar de mudar o que sou, meu habitus insustentável. Eu não vou, mas o tempo (de mudança) vem ... aqui, onde estou.



Não sei se aconteceu, primeiro, uma alteração da percepção da realidade que provocou uma alteração em meu modo de ser ou se ocorreu o contrário. É difícil saber exatamente como se dá a mudança porque enquanto se está no processo não se sabe estar e, portanto, não há uma experiênia consciente do que acontece. Se percebe só mais tarde o acontecido, mas daí é tarde porque se olha com os olhos de hoje para o ontem e “quando o ser humano resgata seu passado, o distorce, acrescenta invariavelmente cores e sabores” (Cury). Mesmo sem saber, ao certo, como me encontro no estado que estou o que sei dizer é que a busca por um modo de vida mais sustentável reencantou meu mundo e a certeza que tenho é que quando passamos a nos preocupar mais com a natureza o que encontramos, em primeiro lugar, é mais felicidade. É uma felicidade diferente daquela que temos como quando compramos.



Quando se começa a andar descalço, a deitar na grama, a olhar pro céu, a sentir o vento e o sol bater no rosto, a festejar o cair de uma semente, a concentrar-se na dança das folhas, a por a mão na massa para construir a horta, a espiral de ervas, o círculo de bananeiras, o jardim, enfim, quando se começa desejar o simples: uma vida simples, uma casa simples, uma decoração simples, um vestir-se simples, uma alimentação simples, um viver descomplicadamente simples, passamos a ter uma felicidade simples, que é mais completa, duradoura. Sim a felicidade mora na simplicidade: do ter, do ser, do fazer e, igualmente, do sentir.


A conexão com (as forças da) a natureza além de proporcionar a felicidade  dá o conhecimento necessário para mudar a si mesmo, o próprio mundo e, é assim, que nos tornamos, nós mesmos, a mudança que queremos ver no mundo. É uma mudança processada pelo ato de permaculturar. Sim, ainda que sem saber, muitos de nos andamos por aí nos encontrando porque estamos permaculturando. Foi o que aconteceu comigo, praticava a permacultura sem saber, seguia os seus principios sem conhecer. Agora, o conhecimento só aprimora o meu ser e fazer. Percebo que sou outra não apenas no meu modo de ser no mundo, mas, para além disso, em meu ser-com-os-outros. A conexão com a natureza (ou seria reconexão?) também me tornou mais humana e isso se reflete, claramente, em meu ser social. Apesar de tudo ainda sou aprendiz ...


No caminho em que ando, o caminho da permacultura, aos poucos sinto a minha sensibilidade florescer. Ainda tenho dificuldade em desacelerar o passo, dilatar o tempo, em degustar lentamente o espetáculo que a natureza oferece. São coisas que ainda faço não naturalmente, mas pela lembrança da consciência. Por outro lado, já aprendi  o valor da gratidão e do amor, já reaprendi a respirar profundamente para me encher de “anima”. O que, na verdade, me foi ensinado a muito tempo por meu pai, uma pessoa que nada sabia de permacultura, mas a praticava quando respeitava e admiriava não só a terra que produz, mas tudo o que a natureza oferece; que nada sabia de meditação, mas a praticava todas as manhãs, cedinho, ao abrir as portas e janelas da casa, e, de olhos fechados, me convidava a deixar o ar entrar em mim. Ele, silenciosamente, celebrava o dia e, provavelmente, agradecia por mais aquele dia de vida. Bem, se para ser feliz basta buscar a simplicidade, para sentir grandes prazeres, como disse Cury, é preciso pouco, muito pouco.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Seres encantados em um lugar chamado Rodeio Bonito



Era madrugada, fria, do dia 23 de maio e, eis, os primeiros participantes do acontecimento, PDC+20. Na cidade conhecida como Rodeio Bonito, o evento foi chamado de Planejamento Sustentável isso porque era necessário ter uma compreensão do que aconteceria nos próximos dias e, assim, uma aceitação. Evitou-se falar em PDC antes do acontecido, pois, isso  soava estranho e mais parecia uma sigla de um novo partido político do que a abreviação de um curso que tem o poder de provocar a (r)evolução na vida dos participantes, o Curso de Design em Permacultura.


Eles  eram os poucos dos muitos que foram chegando: bichos-grilo, alternativos, barbudos, cabeludos, agricultores, professores, estudantes, vindos de várias regiões do Brasil. Seres que, se ainda não eram, logo, logo, se tornariam permacultores. Possivelmente foram considerados seres estranhos: eram coloridos, alegres, festivos, artistas, brincalhões, criativos, vivos, andantes, cantantes, dançantes e um pouco daquilo que a sua imaginação consegue criar.





E, por serem estranhos ao olhar de gente comum, esquecidas das coisas da vida (acostumadas a não ouvir passarinho, a não colher fruta no pé, a não subir em planta, a não saudar o sol e reconhecer a amplidão)  também pareciam gostar de coisas estranhas: de mato e fogueira, de tomar banho de rio, de andar descalços, de subir em árvores, deitar na grama e sobre pedras e, principalmente, das comuns, insignificantes e doces bergamotas. Sim, eles se tornaram os descobridores do encanto das bergamotas. E de tanto que gostaram não esqueceram de guardar um espaço pra elas na mochila que iria nas costas no retorno ao lar.








Costumavam fechar os olhos sem ter sono, só pelo prazer de sentir: o cheiro, o vento, o sol, a energia em sua dança. Costumavam distribuir abraços, transpiravam amor, transmitiam tranquilidade (ou seria serenidade?). Era comum vê-los com um leve sorriso no rosto, rostos belos, doces, cativantes. Eram crianças alegres, irmãos (não de sangue, mas de coração), juntos eram um, formavam uma família.






De tanto parecer ser um, uma família, ouvi a seguinte pergunta: e depois, para onde vocês vão? Não foi difícil explicar, mas foi difícil para o questionador entender que depois (no tempo que ainda resta) cada um segue o seu caminho com, quem sabe, a fortuna de uma (re)união acontecer.


Se foram julgados? Não sei. Se foram admirados? Sim, claro que foram alvo de espanto e admiração, por ser exatamente o que eram: conectados às forças da natureza, felizes em sua simplicidade,  mágicos em sua criatividade, fraternos em sua irmandade, cheios de amor e gratidão no coração. Mas, nem sempre conseguiram compreender o porquê do tamanho da admiração e do seu sucesso, pois, não estavam sendo nada mais do que aquilo que naturalmente são.

 
E como tudo é movimento ... os dias passaram, o tempo passou, e, a hora de brincar naquele tempo acabou. Foi feito o círculo de despedida e nele ouvi de um simples e iluminado ser o seguinte: chegamos aqui vazios e saímos igualmente vazios porque a vida é isso, o fluir. Sim, na hora, concordei. Somos o meio pelo qual tudo flui, se transforma, nada podemos e devemos reter. Mas agora, contrariando a lógica, percebo que o contrário também é verdadeiro: nós chegamos cheios, pois deixamos nossas marcas lá, em quem ficou tanto como em quem partiu e, por outro lado, saímos, igualmente, cheios: de conhecimento e aprendizado, amor e gratidão. Fato é que permanecemos cheios: de lembranças e de saudades.