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sexta-feira, 23 de março de 2012

O outono está aí (na natureza) como está em mim.




É outono! Os dias passam a ficar mais curtos e nosso hemisfério pouco a pouco, dia a dia passa a ser menos iluminado pela luz do sol. É visível a mudança do tempo natural. Nós giramos em torno do sol, os dias vão tornando-se mais curtos, a sombra muda de lugar, o ar da manhã e do fim da tarde é fresco, começam a existir dias cinzas, com uma névoa que custa se dissipar quando não oculta nuvens carregadas de um chuva fina. Que cai mansamente, molha o chão, freia o ritmo do mundo. É outro ciclo da natureza!
É o recomeço de um mesmo e não menos outro (novo) ciclo natural! É tempo de mudança fora e dentro de nós mesmos. Nossa vida, como a natureza, se manifesta em ciclos. Outono, é o tempo de aperfeiçoar a escuta: do que se manifesta, do que é sussurrado em nosso interior, do silêncio. É tempo de nos voltarmos para nós mesmos, para rever posturas, atitudes, objetivos; é tempo de preparar o terreno para a alquimia que se processa no inverno, o tempo da introspecção.


O equinócio de outono é o que agora vivenciamos (no hemisfério sul). É o tempo em que norte e sul ficam perfeitamente alinhados com o sol para em desalinho o sol começar a se afastar do sul em direção ao norte. É o equinócio de outono que nunca deixou de ser celebrado pelos nossos ancestrais . A celebração era um forma de lembrar não só do ciclo da natureza mas que em nós mesmos também se inicia um outro ciclo.

terça-feira, 6 de março de 2012

A doce mãe: Aldeia da Paz

Aldeia da Paz, um modelo de comunidade sustentável e alternativa, integrando Arte, Ciência e Religião, aplica na prática ferramentas para a construção de um novo mundo possível. A Eco-Aldeia da Paz é nômade, anualmente se constrói por meio da autogestì nas vivencias e práticas sustentáveis, possuí um caráter interdisciplinar e transdisciplinar.

Na Aldeia todo dia é domingo. Um eterno domingo … assim são os dias porque todo dia é alegria, diversão, satisfação, contemplação, medita-(a)ção. A verdade é que facilmente nos perdemos no tempo, não sabemos dizer o dia da semana nem qual é o dia do mês. Também é verdade que isso não faz muita diferença já que todo dia é domingo!


Nela é possível experenciar uma outra forma de organização social onde no lugar de lideres existem focalizadores. O focalizador não é um líder no sentido de dar ordens; é sim a pessoa que adquiriu respeito por sua capacidade. Ele participa da roda e das atividades, lado a lado com todos. Ele dá apoio e segura o foco do que vai sendo realizado e compartilhado porque reúne uma experiência maior do que outros participantes da Aldeia. Assim, vivenciamos uma anulação do “status quo” e uma dificuldade em distinguir entre sábios, ordenadores, executores. Não há uma relação entre senhor e escravo e sim uma relação de igualdade, onde cada um, de acordo com suas capacidades, tem igual importância para o bom funcionamento do todo.


A Aldeia da Paz é o lugar onde se dança em círculo na roda do fogo para saudar a natureza e celebrar o divino que há em nós. Mas, para além disso, é o lugar para a redescoberta dos nossos muitos eus entre os quais está o eu criativoque acaba ficando esquecido, pois na sociedade onde reina a tecnologia “o imenso potencial criativo do ser humano é interrompido, negado, frustrado, na mesma medida em que o ser é empobrecido na sua capacidade de realizar, de realizar-se”. É o lugar onde há uma comunicação não violenta, o desinteresse em julgar o outro, o esforço por aceitá-lo em sua diversidade, e, sobretudo, há integração prática entre trabalho, lazer e espiritualidade. Essa é a mágica: em conexão permitir o desenvolvimento das diferentes dimensões do humano (material, social, criativa, espiritual.) Aldeia da Paz, uma experiência que será sempre muito maior que a explicação e, talvez, as palavras possam empobrecer um tal encantamento.
Nem só de estruturas físicas e de ricas vivencias a aldeia é composta!!! Para além de uma eco-comunidade, do exemplo prático de outro mundo possível, de um meio divulgador da permacultura e de tecnologias verdes, a Aldeia da Paz pode nos conduzir ao autoconhecimento, reativar a intuição, despertar a sensibilidade e o olhar que estavam embotados pelo árido cotidiano. Ela expande a percepção, a consciência e o sentir. Assim, ascende "coisas" por dentro e nos fazem querer recriar o cotidiano, reinventar a vida. Sinto a Aldeia da Paz como uma grande mãe. Mãe é aquela que gera, educa, lança para o mundo. 


Como uma doce mãe a Aldeia da Paz gerou novos filhos, os filhos da terra; educou para a sensibilidade (para a escuta da mãe terra, para perceber o movimento da natureza, para sentir o toque suave do vento, para conhecer o calor e força do sol e as sinuosidades da lua) e para um outro modo de vida. Nos braços da aldeia um mundo novo vai se abrindo em cada mirada e a cada conversa que se ensaia com cada um dos aldeões. É um mundo em que a vida humana anda em conexão com a natureza, anda preocupada com o ser inteiro e não pela metade. É um mundo em que a terra é Pachamama, onde Deus (a força superior) é um dançarino alegre-provocador, destruidor-construtor. Para ser “religioso” basta obedecer apenas dois preceitos: honrar o deus que nos habita e amar ao próximo como a ti mesmo. (Isso é amor!). 
Cada um de nós, humano, é, nada mais do que uma centelha de chama sagrada. E, assim, somos luz. “Somos curadores, curamos com luz, luz do nosso amor… luz que chega à terra, cura toda a natureza, despertando a humanidade, curando todo o planeta” (Mira). E, assim, onde iremos estar, lá se encontrará a presença divina, lá estara a aldeia, a aldeia que carregamos dentro. E, como bons filhos não podemos não ser luz e exemplo à todos, exemplo vivo que mostra em práticas e palavras a essência do que somos. E, assim, nos tornamos guerreiros de luz.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

El Derecho al Delirio - Eduardo Galeano


"Se não nos deixai sonhar,
não os deixaremos dormir"


"A utopia está no horizonte
Eu sei muito bem que nunca a alcançarei,
que se eu ando dez passos
ela se distanciará dez passos
quanto mais a procure menos a encontrarei
porque ela vai se distanciando
quando mais me aproximo ...
Para que serve? A utopia serve para isso,
PARA CAMINHAR"

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O mud@mundo como utopia





"De tudo ficaram três coisas: a certeza de que estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar.
Fazer da interrupção um caminho novo, fazer da queda, um passo de dança, do medo, uma escada, um sonho, uma ponte, da procura, um encontro."
(Fernando Pessoa)

...

          Estive cheia de sonhos, sonhos que conduziram a ação, sonhos que coloriram meus desejos, sonhos que me levaram a angústia que mora em mim. Angústia que com frequência transborta em lágrimas, em grandes imaginações, em planos de fuga. mas, como aprendi a respeitar os sinais do tempo, a estar a seu favor, sincronizada com o momento, deixo-o decidir e sem insistir me rendo. Os meus sonhos, que não conhecem os limites do tempo, mas que só acontecem dentro de um tempo, vão ter que esperar. O tempo deles não é este agora, mas o mais tarde.



          Mas, deixe-me contar dos meus sonhos porque ao desenhá-los em letras alivio minha angústia: O que nos pôs em movimento foi o desejo de satisfazer os nossos interesses subjetivos aliando-os a uma causa objetiva. A causa porquê acreditamos fazer sentido lutar é a da sustentabilidade. O desafio desta geração é mostrar que outro mundo é possível, que podemos substituir um habitus insustentável por um habitus sustentável de vida. Isso depende, certamente, de uma mudança em nós. Nós temos que ser a mudança que queremos ver no mundo! Com o intuito de buscar mudar a nós mesmos e o mundo (por meio de uma educação para a sustentabilidade) criamos o projeto mud@mundo. Estruturá-lo teoricamente não foi problema, já que fomos muito mais adestrados a sermos bons teóricos do que executadores de ideias.
          Nos primeiros dias deste ano de 2012 descobri a mais nova profissão do nosso século: Personal Coach (uma espécie de conselheiro que através de perguntas poderosas, técnicas e ferramentas específicas tem a função de ajudar as pessoas a atingir os seus objetivos). Decidimos ouvir os sesu conselhos pois assim tendo um modelo de conduta se torna mais fácil, por comparação, saber onde erramos. Os conselhos do Coach rezam que é preciso sonhar, definir o objetivo com um tempo de realização determinado e, assim, traçar uma plano de ação (definir o passo a passo). A intuição, incrivelmente, é levada em conta. É aconselhável ouvir a voz interior, suas objeções, a sensação de desconforto ou conforto por ela provocada. Também é importante antecipar mentalmente a vivencia do que está em jogo; é importante perceber o que se vê, ouve e sente ao anteciparmos a vivencia do ponto de chegada do projeto em andamento. Ainda é necessário o bom senso, a motivação e a celebração (comemorar cada conquista) e, sobretudo, o fazer (a ação). O bom senso é necessário quando se sabe que com o nosso projeto afetaríamos pessoas ao nosso redor. Se houver desarmonia é com o uso do bom senso que se tenta adequar os outros aos nossos objetivos.

           Com o conhecimento do procedimento ideal passaremos, agora, a uma autoavaliação. É curador e enriquecedor o processo de filtrar os sonhos, identificar os pontos fracos, os erros cometidos. Isso nos purifica, alivia a culpa de nós por nós mesmos. Repasso em minha memória os dias de construção só para identificar os pontos frágeis da utopia, do mud @mundo. O sonho é algo que brota de dentro e não pode fazer parte “deste dentro” por convencimento. O seu nascimento no interior pode ser provocado por diversos estímulos, mas, jamais deve ser forçadamente ali plantado porque dessa maneira não brota, não vinga. Qs sonhos devem nascer de modo natual e não ser plantados. Foi mais ou menos isso o que fiz: forçei o(s) outro(s) a criar dentro de si o meu sonho para desse modo podermos ter um sonho comum. A diferença é que frente a qualquer dificuldade eu permanecia presa ao meu sonho e você(s) se desprendia(m) para, mais tarde, ao serem lembrados, voltar a estar a ele contado.
           Já o objetivo sempre esteve claro, porém, o plano das ações foi centralizado em torno do como realizaríamos o “nosso” sonho e não no modo como chegaríamos até o ponto de começar a realizá-lo. O ato de antecipar a vivencia do nosso projeto nos fez planejar detalhadamente a sua execução e deixamos de planejar cautelosamente os passos que conduziam até a execução. Vítimas do imediatismo, pecamos! Queríamos executá-lo logo, o quanto antes, e, imediatistas que somos, menosprezamos o caminho que deve ser trilhado até chegar ao ato que condiciona o fazer (executar). A motivação foi muitas vezes abalada pelas palavras e pensamentos negativos vindos de quem foi convencido a ter um sonho. Quem tem um sonho dentro de si é Fortaleza: não é atingido pela discordância ou desarmonia dos outros em relação aquilo que é o seu querer. Não se preocupa em demonstrar que sua ação os beneficia de algum modo ou que, pelo menos, não os prejudica. Mas para quem tem um sonho colocado dentro de si sente o peso das objeções de gente de fora, a discordância do outro abala ainda que o outro (apenas indireta e inofensivamente) seria afetado pela sua realização. Não se consegue demonstrar que sua ação os beneficiará ou não os prejudicará. A intuição, na verdade, nunca deixou de dar seus palpites, mas, muitas vezes decididamente ignorei suas acertadas alfinetadas.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A construção da rede social (os amigos e amigos dos amigos)


 
          “A rede social de amigos, parentes e colegas de trabalho. As visitas, barganhas, fofocas e manipulações que ocorrem entre eles (…). Estes são processos e situações com que todos nós nos envolvemos e que se constituem no material básico da vida social”. Não obstante, nunca, ao conviver, quis me envolver mais do que necessária e naturalmente sempre já estive envolvida. (Talvés por saber da minha falta de habilidade para lidar com isso). Caso é que a rede de relações na qual um humano nasce e se constrói, que tenta conscientemente ou não manipular e que é, consciente ou não, manipulado, é a rede que “não é somente a fonte de seus problemas sociais; também fornece a matéria-prima com a qual deve resolver seus problemas”. Isto é assims segundo Jeremy Boissevain. Como gosto de brincar relacionado idéias, bringo agora, para melhor entender a realidade, para ter uma maior compreensão do fatos. Quero falar da rede de amigos e dos amigos dos amigos, rede permeada pela a amizada que Eric Wolf chamou de amizade instrumental.
          A amizade instrumental, diferentemente, da emocional é por interesse. A relação de amizade interessada tem como objetivo obeter acesso a recursos - naturais ou sociais - sendo que o empenho por esse acesso é vital nessa relação. A amizade, neste sentido, tem um utilidade (serventia) prática, sendo que quanto mais amigos melhor já que ocorre um processo de apadrinhamento de uns em relação aos outros. A amizade interessada se apoia na reciprocidade. Ela não deixa de ter intensidade e afeto, ao contrário, a intensidade da relação pode aumentar, dependendo, é claro, da troca e, principalmente, do número de favores trocados. Como o afeto também é um ingrediente importante dessa relação, se ele não existe deve ser criado. Ou nas palavras do autor: “se não está presente deve ser fingido”. Esta relação, no entanto, fica ameaçada quando um dos membros explora demais o outro ou quando um favor não é atendido.
          É de importância crucial criar este tipo de amizade, a instrumental, pois, a concretização de muitos projeto, sejam pessoais ou não depende deste tipo de relação. A relação envolve atos de assistência mútua. Quando se tem amizade instrumental é possível você existir para os outros, outros que anunciam e informam da nossa existência, dos nossos planos. É aí que a importância disto extrapolam a esfera da subjetividade atingindo ou sensibilizando os outros. É isso que ocorre quando se forma uma rede social de amigos - os contatos são feito boca a boca e, como dizem por aí, nada melhor do que isso para saber quem são de fato as pessoas! Em uma rede de amigos, os amigos nos coloca em contato com os seus amigos e assim viramos amigos dos amigos. A partir daí fizemos amizade com os amigos dos amigos dos amigos. Sem dúvida, fui convencida que para inciar qualquer projeto é vital um conjunto de contatos estabelecidos e cuidadosamente cultivados. A questão é: como fazer isso? Como já confessei: não tenho nenhuma habilidade. Não me ensinaram! O que sei é que uma amizade não se pode forçar, então, como fazer? Participar de algum evento pode ser um bom caminho. Por sincroniciade chegamos até o Aldeia da Paz , evento que ajudaremos a organizar em 2012, em POA.



Textos lidos:
Apresentando ”amigos de amigos: redes sociais, manipuladores, e coalizões”
Parentesco, amizade e relações patrono-cliente em sociedades complexas de Eric R. Wolf
de Jeremy Boissevain

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Gratidão a Marsha


Encontramos ali onde menos esperavamos encontrar aquilo que procuravamos. Como já escrevi em um outro momento, a nossa proposta de troca entre trabalho voluntário e sustento (alimentaçao\hospegagem) não foi bem recebida pela maioria das comunidades sustentáveis e centros de permacultura, principalmente, do sul e sudeste do Brasil. Se o acontecer do mud@mundo dependesse dos espaços ecológicos com que entramos em contato, se dependesse da cooperação e da solicitude das comunidades sustentáveis e centros de permacultura, então, nosso projeto, simplesmentente, não aconteceria. O caso é que, em um dos nossos insistentes contatos topamos com uma pessoa desconhecida pra nós mas que se tornou especial: a Marsha. Além de disponibilizar o seu espaço por alguns dias ao mud@mundo, ela compartilhou conosco uma informação valiosa. Marsha mencionou, por e-mail, um programa de voluntariado que existe ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Graças a isso continuamos aqui, firmes no propósito de realizar o mud @mundo. Imediatamente fizemos nosso cadastro no programa de voluntariado e buscamos pelas propriedades agrícolas que empregam tecnologias alternativas. Tudo parecia ser perfeito demais, por isso, nos preocupamos em enviar o formulário solicitado e nos certificar de que realmente funcionava o voluntariado. Para nossa surpresa e alegria, sim!. Existe nestes espaços a troca entre trabalho voluntário e hospedagem\alimentação\conhecimento prático. Encontramos ali, nas pequenas propriedade agrícolas, nos sitios e pousadas (que muito pouco se preocupam em divulgar ao quatro ventos o trabalho que desenvolvem, os valores que cultivam e o seu modo de vida sustentável) o verdadeiro significado de cooperação, solidariedade, partilha e, mais do que isso, o verdadeiro significado de voluntariado, o voluntariado que se constitui da troca. Ainda nos resta acertar as datas, mas, certamente, não deixaremos de passar por estes lugares e apresentá-los aqui.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ecovilas como contracorrente



Num dias desses estava lendo Edgar Morin e me deparei com a ideia de que, no mundo em que convivemos há dois poderes de morte: o primeiro é o da possbilidade da extinção global pelas armas nucleares; o segundo é a possibilidade da morte ecológica (o dominio da natureza pela técnica nos conduz ao suicidio). Como reação a isso há, então, o que o autor chamou de contracorrente. Há “a contracorrente ecológica, que com o crescimento das degradações e o surgimento de catastrofes técnicas\industriais tende a aumentar; a controcorrente qualitativa que, em reação a invasão do quantitativo e da uniformização generalizada, se apega à qualidade em todos os campos, a começar pela qualidade de vida; a contracorrente, ainda tímida, de emancipação em relação à tirania onipresente do dinheiro, que se busca contabalançar por relações humanas e solidárias, fazendo retroceder o reino do lucro“. Isso me fez pensar sobre as comunidades sustentáveis (ecovilas) e suas ações.
          Conforme Robert Gilman, uma ecovila é um assentamento humano ecológico, isto é, sustentável, em zona rural ou urbana, que possuí uma organização social própria, que integra atividades humanas que não prejudicam o meio ambiente, apoiam um desenvolvimento saudável e que pode continuar indefinidamente. Comummente, se compreende as comunidades sustenáveis como sendo um lugar em que as pessoas ou familias buscam viver juntas, não necessariamente na mesma casa mas no mesmo espaço, compartilhando valores comunitários e, além disso, buscando viver em harmonia com a natureza, em todos os seus níveis. É um lugar onde as diferentes esferas da vida humana (social, espiritual, ecológica) deveriam ser igualmente importante. É fato que este modelo de vida vem crescendo, que há muita gente em todo o mundo compartilhando da visão e do desejo de criar ou viver em uma comunidade sustentável.
           Em 1998, as comunidades sustentáveis foram nomeadas oficialmente na lista da ONU das 100 melhores práticas para o desenvolvimento sustentável, como modelos excelentes de vida sustentável. O modelo de ecovila tem proposto soluções viáveis não apenas para a erradicação da pobreza mas também da degradação do meio-ambiente. Elas surgem de acordo com as características de suas próprias bio-regiões e dentro do seu próprio contexto cultural e incluem em sua organização muitas práticas sustentáveis, ou seja, em todas elas há uma preocupação com energias renováveis, com construções de baixo impacto, com o lixo, com a àgua e a terra. Por reconhecer uma interdependência entre nós e mundo natural, as ecovilas possuem uma relação diferenciada entre homem e natureza. O ser humano é entendido como um ser integrado a natureza e que deve se ocupar dela de modo racional e com ela trocar saberes.
            Assim sendo, considero as ecovilas como exemplos concretos da contracorrene ecológica, uma vez que, se propõem a serem modelos de vida alternativa ao modo de vida insustentável e doentio da maioria das pessoas. Na medida em que há nelas uma preocupação em viver em harmonia com a natureza (com o mundo natural), com a alimentação orgânica e saudável e, em muitos casos, com uma saúde holistica, elas também representam a contracorrente qualitativa. Além disso, representam uma tentativa de emancipaçao em relação à tirania onipresente do dinheiro. É verdade que essa emanciapação é bastante tímida uma vez que, valores sustentáveis como partilha, solidariedade e cooperação fazem parte da maioria dos discursos, mas nem sempre são facilmente vistos aplicados na prática. É evidente que, como filhos do capitalismo, ainda há em nossas mentes e corações resquícios de valores associados a prática da dominaçao e da exploração. Certo estava Fernando Pessoa quando disse que “o sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse nunca é o que se vê quando a janela se abre“.

Reflexões sucitadas pela leitura do livro: Os Sete Saberes necessários à Educação do Futuro, de Edgar Morin.