Páginas

sábado, 15 de agosto de 2026

 


Quase um ano no tradicional ,,,



Era dois mil e vinte e cinco e a tua gargalhada ecoou pela casa em meio ao ruído da cidade grande. No entardecer de uma tarde de primavera te escuto e, imediatamente, agradeço: Gratidão!!. O ato de agradecer positiva a vida. Nesse momento agradeço por você estar bem onde está, pela coragem de mudar, pelo movimento que você exigiu, pela cura que me gerou.

Nunca te imaginei assim, sentada, 4 horas por tarde dentro de uma sala de aula e com apenas quinze minutos de recreio. Sim, com o tempo limitado para o brincar livre que é tão, mas tão essencial à criança. Quinze minutos, mas preenchidos de companhias, de amizades, de relações humanas diversas, o suficiente para te dar muita alegria. É talvez o que  hoje você mais precisa é da socialização e não tanto do brincar livre! A alegria que ecoa aqui em casa está em ti enquanto que em mim ainda sinto dor.

Sinceramente, eu não queria ver-te ou dar-te a educação escolar que tive - a tradicional, que me formou (colocou em uma forma) e da qual me afastei. Porém, é justamente para esse tipo de escola que retorno agora contigo. É um retorno pra mim que já estive aqui como aluna e professora, mas pra você, novidade. E, não ´que você apenas quis, mas pediu por isso por meio sinais que foram ficando cada vez mais fortes. Eu vi os teus desequilíbrios emocionais absurdos e não podia mais negar. Eu vi as tuas gigantes frustrações num ambiente que era pra ser saudável. Era um querer meu que você estivesse dentro de uma educação mais integral, como a de uma escola Waldorf, porém, isso que eu reconhecia como bom, não fazia mais bem pra ti.

Seria mentirosa se negasse o quão profundamente frustrante foi me esforçar para dar uma educação não tradicional para minha filha e, de repente, ela sinaliza que o que quer e precisa é justamente do tradicional. Começamos com Montessori. depois educação viva e consciente, pedagogia Waldorf, para, então, chegar a sala de aula tradicional: uma educação da época das fábricas, tão ultrapassada e fracassada ... Mas não quero o novo, era isso o que ela dizia. 

Uma grande frustração gera muita raiva, afinal de contas, a educação da própria filha não está sendo como eu quero e idealizei. A raiva, sempre foi um problema pra mim, nuca consegui lidar bem com ela. A raiva não digerida se expressa no corpo. O corpo, por sua vez, fala por meio de uma dor/doença, o que a gente cala ou não consegue processar. O meu corpo, então, pela dor nos olhos me convidou a olhar para aquilo que eu não estava querendo olhar dentro de mim.


Quando me perguntei: o que afinal de contas meu corpo quer dizer com essa dor? Foi então que cheguei a ter essa compreensão sobre mim: no fundo, até então inconscientemente, era a minha criança interior que queria outra educação e não necessariamente minha filha. 

Era sobre mim, não sobre ela! Sempre é sobre a gente, nunca sobre o outro!